Um grupo de pesquisadores do Instituto Cerne desenvolveu um sensor capaz de detectar vazamentos de gás em poucos segundos, mesmo em instalações elétricas antigas — um cenário em que a maioria dos detectores comerciais perde precisão. O dispositivo já está em fase de testes em três prédios públicos da capital.
Como surgiu o projeto
A pesquisa começou como um desdobramento de um projeto do núcleo de materiais avançados do instituto, que originalmente estudava revestimentos resistentes a corrosão. Durante os testes, a equipe percebeu que um dos compostos desenvolvidos mudava de resistência elétrica na presença de gases específicos — o princípio que hoje está por trás do sensor.
"A grande vantagem não é só a velocidade de detecção, é o custo. Um sensor importado equivalente custa entre R$ 800 e R$ 1.200. O nosso protótipo sai por menos de R$ 90 em escala," explica a professora responsável pelo projeto.
Como funciona
1. Detecção. O composto sensível muda de resistência elétrica ao entrar em contato com gases como metano e propano.
2. Alerta. Um microcontrolador lê essa variação e dispara um alerta sonoro e uma notificação para o síndico ou responsável pelo prédio.
3. Registro. Cada leitura fica registrada localmente, permitindo cruzar horários de vazamento com manutenções futuras.
4. Instalação. O sensor não precisa de fiação nova — funciona com bateria e se comunica por rádio de baixo consumo.
Comparação com sensores tradicionais
| Característica | Sensor do Instituto Cerne | Sensor importado |
|---|---|---|
| Tempo de detecção | ~3 segundos | 8–15 segundos |
| Custo estimado (unidade) | R$ 90 | R$ 800–1.200 |
| Instalação | Sem fiação, bateria + rádio | Geralmente requer fiação |
| Autonomia da bateria | Até 18 meses | 6–12 meses |
A equipe agora negocia com duas administradoras de condomínios a instalação do sensor em mais dez edifícios até o fim do ano, além de buscar certificação para uso comercial.